terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Suffochate



Os Suffochate, criados há dois anos no Porto, são uma banda de death/thrash/progressive metal. Lançaram, este ano, o seu registo de estreia "No Mercy In His Eyes", que recebeu críticas positivas, inclusive da revista "Loud!", a maior revista dedicada ao género em Portugal.

Aqui fica a entrevista por eles concedida:


Qual a vossa opinião acerca da situação actual do metal e suas vertentes em Portugal e no Porto?
Comparando com o que se passa lá fora, acho que o metal em Portugal não tem apoios suficientes, nem sequer é reconhecido como um estilo musical por grande parte da população. É certo que ultimamente temos assistido a uma mudança, embora, quase imperceptível. Por exemplo, temos assistido a algumas aparições nomeadamente dos Moonspell e membros da banda em programas com grande audiência, como é o caso do Gato Fedorento. Embora pareça insignificante, é sinal que as coisas estão a mudar a pouco e pouco.
Por outro lado, sentimos que ainda existem cá em Portugal muitas mentes fechadas que são incapazes de abrir os horizontes e aceitar as mais recentes "novidades" ou inovações que são feitas no metal. Nós somos muitas vezes associados a um estilo de metal mais moderno com influências americanas, o que faz com que muitas vezes sejamos colocados um pouco de lado por certas pessoas.
No que diz respeito ao Porto e à zona norte, é sem dúvida o maior foco de metal em Portugal. Há concertos, há underground, há inúmeras bandas lançadas, inúmeras bandas a dar os primeiros passos e muitos músicos a tentar arranjar bandas para tocar. Temos um dos melhores (se não o melhor mesmo!) local de concertos de metal do país que é o MetalPoint! Mas...é importante dizer também que não há muitos sítios por onde tocar e na nossa opinião, o Porto falha por isso mesmo por falta de locais onde tocar.


Quais são as vossas principais influências musicais?
Isso agora...Nós retiramos influências em várias bandas! Depende do nosso estado de espírito e do sentimento que queremos transmitir em cada música. Mas a base é sem dúvida o death metal moderno. Podemos também enunciar algumas das bandas que nos têm influenciado ao longo deste tempo. São elas Suicide Silence, Lamb Of God, Meshuggah, The Faceless, Impending Doom, Job For a Cowboy,Waking The Cadaver, Opeth, Gojira, entre outras...

Quais as principais dificuldades e vantagens de crescer como banda no Porto?
As dificuldades são muitas mesmo! Por exemplo, o facto de existirem muitas bandas e muitos concertos torna difícil uma banda destacar-se..Outra dificuldade é, como já disse anteriormente, a falta de locais para se dar concertos na zona do Porto.
Mas sem dúvida que a grande vantagem é o reconhecimento do público e o apoio que nos dão! Crescer como banda no Porto não é uma tarefa fácil como podem pensar, é difícil, mas só o facto de sermos reconhecidos pelo nosso trabalho e de termos cerca de 80 pessoas num concerto (nada mau para os dias de hoje) a apoiar-nos, já é uma grande recompensa.

Têm projectos para o futuro, de momento ? Se sim, quais ?
De momento temos grandes projectos! Esperamos conseguir concretizá-los a todos. Em primeiro lugar, gostaríamos de arranjar uma distribuidora que nos ajudasse com a distribuição do nosso EP por todo o país e mundo para que possamos divulgá-lo ao máximo. Depois, gostávamos de arranjar uma editora que nos apoiasse no próximo lançamento discográfico que estamos já a compor. Por fim, estamos a tentar conquistar o país aos poucos...Estamos agora a preparar uma mini tour para a zona norte e centro de Portugal e estamos a preparar aos poucos a nossa ida a Lisboa que contamos que seja até ao próximo Verão.

O que pretendem transmitir através da vossa música?
Essencialmente pretendemos transmitir que não vivemos num mundo cor-de-rosa como as cantoras pop do momento transmitem aos adolescentes. A nossa música não é agradável aos ouvidos de muitos, as nossas letras não são contos de fadas e princesas, e os nossos concertos não são calmos. A nossa música é agressiva, as nossas letras relatam histórias de serial killers, de mortes, anti-religião, os nossos concertos são agressivos. É preciso alguém abrir os olhos para a sociedade em que vivemos! É isso que tentamos fazer. A nossa música é a nossa arma!

Porque decidiram optar pelo Inglês?
Esta resposta vai soar um bocado cliché, mas é mesmo pelo facto de podermos transmitir a mensagem ao maior número de pessoas. O Inglês é uma língua universal e através do inglês conseguimos chegar a praticamente todo o mundo... Não ficamos restringidos ao nosso país.
De facto, a música deveria falar por si própria mas, na nossa opinião, a letra é também muito importante para se entender a mensagem.


Entrevista realizada por Débora Frescata e Elisabete Sousa (via e-mail)

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